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Declaração dos conselheiros do CGI.br
sobre difamações contra a entidade
Em relação à mensagem caluniosa e difamatória
contra o Comitê Gestor da Internet no Brasil que circulou
recentemente na Internet os conselheiros do CGI.br esclarecem
que:
“Essas denúncias infundadas não surgiram
agora. É fundamental entender a origem e também
por que sempre é o mesmo grupo que faz essas acusações
(o que já deveria levantar suspeitas sobre as razões
reais disso), que essencialmente são as mesmas com pequenas
variações na montagem dos parágrafos.
Essas mensagens são parte de uma campanha feita por
um grupo empresarial do Paraná que teve seus interesses
comerciais contrariados pela forma com que o CGI.br administra
nomes e números no Brasil. Há alguns anos,
esse grupo registrou uma quantidade enorme de nomes de domínio
(não há limite para o número de domínios
que uma empresa pode registrar sob o mesmo CNPJ), com a intenção
de tornar-se revendedores de nomes de domínio (tornando-se
um "registrar", que é uma intermediador
de domínios, tanto de gTLDs -- domínios genéricos
globais -- como de alguns domínios de países – os
ccTLDs -- que optaram por transformar seus domínios
nacionais em mercadorias, algumas vezes geridos por empresas
estrangeiras, tal como se fossem gTLDs).
No Brasil não existem "registrars" para
o domínio ".br", havendo somente uma entidade
registradora ("registry"), o Registro.br, sob gestão
do NIC.br e orientação do CGI.br, que distribui
os domínios sob o ccTLD “.br” sem finalidade
lucrativa e com os cuidados necessários para que este
seja preservado como a identidade do Brasil na Internet e
não como uma mercadoria. Quem vê um domínio ".tv", ".st" ou ".fm",
dentre alguns outros, não sabe a que país se
refere -- são domínios que viraram domínios
comerciais globais; seus respectivos países perderam
sua identidade na Internet. Por exemplo, o domínio ".tv",
hoje usado por emissoras de televisão de todo o mundo, é de
Tuvalu. Por outro lado, o ".br", como o ".ca",
o ".de" e muitos outros, são administrados
com a visão de identificar cada domínio com
seu país. E o ".br" vai além -- é administrado
sem fins de lucro e com a visão de ser um bem da comunidade,
com uma governança pluralista. Essa é uma
conquista sacramentada desde a criação do CGI.br
em 1995, e aprofundada a partir de 2003 com a eleição
dos conselheiros não governamentais por seus próprios
grupos de interesse.
É claro que nada impede que duas entidades negociem
entre si o repasse de um domínio de uma para outra,
mas isso não envolve o CGI.br e não é homologado
pelo CGI.br -- se houver problema nessa transação,
nada o CGI.br poderá fazer para reverter o processo
se a transferência do domínio seguiu as normas
claramente estabelecidas pelo Registro.br.
O fato é que, ao tentarem registrar um domínio,
as empresas brasileiras muitas vezes percebiam que o mesmo
já estava registrado por esse grupo empresarial paranaense.
Se não houvesse base legal para lutar pelo nome (como
no caso de marcas registradas, nomes amplamente conhecidos
como identificando determinada empresa etc), as empresas,
ante o preço extorsivo cobrado por esse grupo, simplesmente
buscavam outro domínio similar disponível e
o registravam pelo valor padrão anual do registro.br.
Isso acabou levando o negócio do grupo ao fracasso,
e desde então este trava uma guerra suja contra o
CGI.br para tentar mudar radicalmente as normas -- com o
propósito de simplesmente transformar o CGI.br em
uma empresa negociadora de domínios, mudando as regras
segundo os interesses do mercado e não do país.
Auditoria
A análise detalhada dessa saraivada de acusações
totalmente infundadas toma tempo
(trabalho que vem sendo exaustivamente feito pelo setor
jurídico do CGI.br em vários processos judiciais
sendo movidos contra o grupo), mas alguns pontos são óbvios:
- Desde que o registro de domínios no país
começou a ser pago, há cerca de 10 anos, com
a administração feita por um projeto da Fapesp
em acordo com o CGI.br recém criado, as contas desse
processo são rigorosamente auditadas e publicadas.
- Com o início da administração de nomes
e números pelo NIC.br, a partir de 2006, manteve-se
rigorosamente o processo de auditoria. Lembremos que desde
2004 o CGI.br é uma organização pluralista
com membros escolhidos por eleições de todos
os setores não governamentais (empresariais, acadêmicos
e terceiro setor) e seria muito ingênuo imaginar que
todos esses membros, com tal diversidade e sendo voluntários,
estariam compactuando com as supostas irregularidades sistematicamente
forjadas pelo grupo paranaense ao longo dos últimos
anos.
- Outras acusações, como a falácia que
as liberações de domínios sempre ocorreriam
em feriados, não se sustentam. No caso da liberação
de domínios existentes, basta pegar um calendário
e conferir, lembrando que esses processos de liberação
não são feitos de surpresa em um único
dia, mas seguem rigorosamente regras claras explicadas em
detalhe no sítio Web do CGI.br. Isso incomoda profundamente
o grupo, que perde domínios por frequentemente usar
CNPJs forjados ou "laranjas", ou por não
pagar as anuidades devidas, e esses domínios entram
no processo de liberação para que outras entidades
possam usá-los (note bem: pagando apenas a anuidade
padrão do CGI.br).
Por exemplo, considerando a data de elaboração
deste texto (10/9/2007), o próximo processo de liberação
anunciado no sítio Web do registro.br ocorrerá de
06/10/2007 às 15:00 a 21/10/2007 às 15:00 --
um total de duas semanas corridas -- e a lista de domínios
disponíveis para liberação será publicada
em 01/10/2007. Mesmo com feriados ou fins de semana no meio
(o que não é surpresa que ocorra em duas semanas
corridas), convenhamos: há tempo suficiente para qualquer
empresa candidatar-se a um domínio disponível
para liberação.
Em resumo, nada resiste às bravatas e acusações
do grupo. Para quem duvida e prefere acreditar em acusações
completamente sem pé nem cabeça (basta ler
em detalhe e prestar atenção para ver que são
repetitivas, sempre a mesma coisa, e as "provas" são
um amontoado de asneiras feitas para confundir quem não
está informado sobre o que faz o CGI.br desde sua
criação em 1995), basta verificar a abundante
informação nos próprios sítios
Web do CGI.br.
Ações Civis e Penais
Todos os conselheiros concordaram que o CGI.br deve
mover ações civis e penais contra o grupo,
o que está sendo feito há algum tempo. Afinal, é a
instituição como um todo que está sendo
atacada, e não um ou outro conselheiro ou funcionário.
Já houve condenações e ultimamente eles
adotam inclusive o método de forjar emails de conselheiros
para enviar mensagens com as mesmas denúncias de sempre
(mais um ilícito penal), tendo inclusive movido seus
sítios Web para servidores no exterior, ao serem impedidos
pela Justiça de mantê-los no Brasil.
Só esperamos que as campanhas dos candidatos de todos
os setores aos cargos de conselheiros do CGI.br não
adotem métodos similares, ou ecoem esse tipo de jogo
sujo -- na verdade, com isso acabarão desmoralizados
rapidamente e, se mesmo assim forem eleitos, terão
que compartilhar a mesa com os outros conselheiros que estarão
lá (tanto os de governo, que não serão
trocados agora, como os que forem reeleitos) -- uma situação
no mínimo constrangedora ante os fatos. Não
se ganha nada em remuneração financeira como
conselheiro do CGI.br, apenas muito trabalho voluntário
se quiserem participar a sério da governança
da Internet no país.
Por fim, é importante dizer que o CGI.br não é perfeito
(nada é perfeito). Já conquistamos muita coisa
(os projetos CERT.br, PTT.br e CETIC.br são bons exemplos),
mas estamos em doloroso processo de separação
da Fapesp (em que esta retém os recursos excedentes
do CGI.br, essenciais para uma política de apoio a
projetos de alavancagem das TICs para o desenvolvimento humano
no país) que ainda não foi concluída,
e é preciso consolidar a legislação
que deu vida a esta parceria pluralista única para
a governança de um bem comum no Brasil, hoje considerada
mundialmente como um modelo excepcional em seu campo, para
que seja perpetuada e melhorada ainda mais.
10 de setembro de 2007
Assinam os conselheiros do CGI.br (em ordem alfabética
de nomes):
Alexandre Annenberg Neto (setor empresarial)
Antonio Alberto Valente Tavares (setor empresarial)
Augusto César Gadelha Vieira (Ministério da
Ciência e Tecnologia)
Carlos Alberto Afonso (terceiro setor)
Cássio Jordão Motta Vecchiatti (setor empresarial)
Demi Getschko (notório saber)
Gustavo Gindre Monteiro Soares (terceiro setor)
Henrique Faulhaber (setor empresarial)
José Alexandre Novaes Bicalho (suplente. Anatel)
José Roberto Drugowich de Felício (CNPq)
Luci Pirmez (comunidade científica e tecnológica)
Luiz Fernando Gomes Soares (comunidade científica
e tecnológica)
Manoel Fernando Lousada Soares (Min.Desenv., Indústria
e Comércio Exterior)
Marcelo Andrade de Melo Henriques (Ministério da
Defesa)
Marcelo Bechara de Souza Hobaika (Ministério das Comunicações)
Marcelo Fernandes Costa (terceiro setor)
Mário Luis Teza (terceiro setor)
Nelson Simões da Silva (comunidade científica
e tecnológica)
Nivaldo Cleto (suplente, setor empresarial)
Omar Kaminski (suplente, comunidade científica e tecnológica)
Plinio de Aguiar Junior (Anatel)
Roberto Francisco de Souza (suplente, terceiro setor)
Rodrigo Ortiz Assumpção (suplente, Min.Planejamento,
Orçamento e Gestão)
Rogério Santanna dos Santos (Min.Planejamento, Orçamento
e Gestão)” |