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Documentação Técnica

Regras para a Distribuição de Números IP no Brasil

Autor: Demi Getschko
Em
20/03/1997

Um número IP é constituído de quatro octetos, abrangendo assim, uma faixa de números que vai de 0.0.0.0 até 255.255.255.255. Deste espaço total, o Brasil foi conseguindo diversas parcelas no decorrer dos anos. Aproximadamente duas dezenas de redes foram alocadas no padrão chamado "class B", que fixa os dois primeiros octetos e permite que os dois últimos sejam usados ao talante de quem as recebeu. Uma rede "class B" tem, portanto, a possibilidade de 255*255 = 65000 números (máquinas) distintos. As redes "B" obtidas pelo Brasil foram solicitadas por instituições de ensino e pesquisa diretamente ao Internic. O grau de eficiência em seu uso hoje varia grandemente. Da USP ao Observatório Nacional, o uso dos "class B" vai de próximo a 10% a menos de 0,1% do número possível de endereços.

A partir de 1993 o Internic passou a não mais conceder redes tipo "B", dado seu precário aproveitamento e a iminente escassez de números para todos, e começou então a distribuição intensa de redes classe "C", onde apenas o último octeto pode ser variado pelo cliente. São redes que comportam teoricamente 255 endereços (máquinas).

A crescente pulverização do espaço de endereços em pequenas redes "C" levou a um outro, e não menos grave, problema: o crescimento descontrolado das tabelas de rotas. Afinal, a cada rede ("B" ou "C") pode corresponder uma rota específica e, portanto, cumpre alocar mais um elemento nas tabelas dos roteadores. A exigência de cada vez mais memória nos roteadores centrais da rede ameaçou a Internet com um bloqueio geral. A forma de contornar essa ameaça foi lançar mão de "agregados" de "class C", chamados blocos CIDR, ou "Classless Inter-Domain Routing". Usando o protocolo adequado a cada agregado associa-se uma única rota, e assim economiza-se memória nos roteadores. Daí advem o seguinte problema: a "coordenação" que um agregado CIDR precisa ter para ser efetivo. Ao se atribuir um agregado a uma rota, uma linha internacional que vai dos EUA ao Brasil por exemplo, é necessário que todos os endereços desse agregado sejam, de fato, atingíveis por essa rota. Assim, é quase obrigatório delegar a redistribuição do agregado para quem cuida da rota, de forma que ele distribua os endereços contidos no agregado aos usuários de sua rota.

O Brasil ganhou inicialmente um agregado de 1024 classes "C", de 200.17.0.0 até 200.20.0.0. Esse agregado foi dividido em dois, um associado à rota pela linha da Fapesp e outro associado à rota pela linha da UFRJ. Com a entrada da área comercial no cenário da Internet brasileira, foram requisitados mais endereços dentro da faixa que cabia ao Brasil. O Internic respondeu que a faixa de 200 estaria alocada à América Latina como um todo. Fez-se ver a eles que não existia maneira de coordenar a alocação de blocos da América Latina inteira, visto que existiam diversas portas de entrada (linhas internacionais) e diversas administrações locais. O Internic respondeu repassando ao Brasil metade do espaço latino-americano, que corresponde a faixa que vai de 200.128.0.0 até 200.255.0.0. São 32000 classes "C", além do que já havia sido anteriormente alocado. Isto corresponde a 8 milhões de endereços distintos que, se forem aproveitados em 10%, redundarão em 800.000 máquinas conectáveis. Note-se que o Brasil foi o primeiro, e até agora, único país da América Latina a ter autonomia para gerir seu espaço total e não precisa mais recorrer ao Internic a cada nova atribuição de endereço dentro dos agregados que recebeu. Essa autonomia conferiu agilidade, eficiência, e sobretudo, credibilidade, a par de responsabilidades.

Pontos a ponderar: