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Perfil da
Internet - Brasil Virtual
Manoel Francisco
Brito e Darlene Menconi
Pesquisa inédita mostra que a tribo nacional da Internet
é rica, instruída e solteira
O Brasil virtual é o contrário do Brasil real. A
tribo nacional que navega pela Internet está bem de vida
- mais da metade ganha acima de vinte salários mínimos
- , 36% freqüentaram uma universidade, a maior parte de
seus membros, 62%, fala inglês e apenas 12% dos
navegantes são mulheres. Exatamente o oposto de seus
compatriotas desplugados, cuja maioria mal terminou o
primário, se vira com uma renda mensal de até cinco
salários mínimos, freqüentemente, dado sei nível
precário de escolaridade, tropeça no português e as muares formam pouco mais da metade do contigente total
da população. "Sabíamos que o usuário era
qualificado, mas não tanto", diz Luís Paulo
Montenegro, diretor do Ibope, que assina, junto com o
Cadê (www.cade.com.br), uma página de busca de
informações na rede, a primeira pesquisa sobre o perfil
brasileiro ligado na internet. "Pela pesquisa, o
Brasil na rede tem cara de Suiça", diz Silvio
Genesini, diretor da Andersen Consulting.
A pesquisa do Ibope foi a primeira feita no Brasil
através da própria Internet. No endereço do Cadê, ao
longo do mês de novembro um aviso convidava os
navegantes a responder ao questionário. Cerca de 8 500
pessoas se candidataram. Os computadores do Cadê identificavam as máquinas na conexão, para evitar que
alguém respondesse mais de uma vez. Nas respostas sobre
a idade dos navegantes, Fabio Oliveira, diretor do Cadê,
surpreendeu-se com o número de pessoas com mais 30 anos,
35%, que passeiam pela rede. "Existia o mito de que
a internet era uma coisa mais para adolescentes",
diz.
Arbitrar - Outro mito quebrado, foi o o
que rezava que, para seus usuários, a Internet tem de
permanecer gratuita - 58% pagariam por serviços na rede.
"Não me importo em pagar se for mais barato que o convencional", diz Thomas Viertler, gerente de
marketing da Microsoft no Brasil, o arquétipo do navegante nacional segundo a pesquisa, que indica que um
terço da tribo é formada por pessoas que trabalham com
computação. Nesse aspecto, pelo menos, não houve
novidades. No Brasil, a Internet ainda é terreno de
informatas. Oliveira acha também que o levantamento
sobre a freqüência e o tempo de acesso à rede ficou
dentro das expectativas.
Dois terços dos usuários entram na Internet pelo menos uma vez ao dia.
e oito em casa dez deles conectam, passam uma hora ou mais navegando,
a maioria em busca de notícias. A única coisa que a pesquisa não se
arriscou a fazer foi tentar identificar o número total de usuários da
rede no Brasil. até porque as estatísticas nessa área, por conta de
limitações técnicas, não são exatas. Tudo o que os administradores de
uma rede enxergam são os seus servidores, computadores em que os usuários
se penduram para começar a navegar. o que se faz é arbitrar um número
de navegantes por servidor, em geral dez. "No Brasil, existem hoje
cerca de 70 000 servidores", contabiliza oliveira. ele se recusa
a arriscar um número para o total de usuários, que, segundo a pesquisa,
formam um exército de solitários: 63% dos entrevistados são solteiros.
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