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Pesquisa
e Desenvolvimento
Prof.
José Augusto Suruagy Monteiro
A tecnologia de redes de computadores tem evoluído
bastante rapidamente desde o seu surgimento no final da
década de 60, e sobretudo nos últimos anos. O conceito
do que seria alta velocidade para redes de longa
distância, as chamadas WANs, passaram rapidamente
de dezenas de quilobits para dezenas de megabits e, mais
recentemente, a centenas de megabits.
Este aumento de velocidade de transmissão tem
possibilitado o desenvolvimento de novas aplicações
tais como vídeoconferência, visualização remota e
animação que necessitam da transferência de grande
quantidade de dados em questão de frações de segundo.
Deste modo, a missão do Grupo de Trabalho de Pesquisa e
Desenvolvimento da Internet no Brasil, ou simplesmente GT
de P&D, tem como missão a de organizar, induzir,
financiar, coordenar e executar programas de pesquisa e
desenvolvimento em temas avançados de redes e de
aplicações de redes, visando gerar tecnologia para
sustentar a evolução continuada dos serviços Internet
no Brasil. Para este fim estaremos trabalhando em
conjunto com o GT de Engenharia e serão utilizados os
mecanismos de fomento à pesquisa disponíveis a nível
federal e estabelecidas parcerias com órgãos de fomento
estaduais, empresas de telecomunicações, de
computação e a academia.
O GT de P&D foi confiado pelo Comitê Gestor da
Internet ao LARC (Laboratório Nacional de Redes de
Computadores). O LARC é uma associação sem fins
lucrativos que reúne as principais universidades e
instituições de pesquisa nacionais que mantêm
programas na área de Ciência da Computação e que
possui como objetivos principais a geração de know-how
nacional na área de redes, a formação de recursos
humanos e o desenvolvimento de tecnologia especializada
no setor. Atualmente o GT de P&D está constituído
por cinco membros da academia cujas universidades são
membros do LARC e por um representante do Centro de
Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD) da Telebrás.
No final de julho, durante o Congresso da Sociedade
Brasileira de Computação, realizado em Canela, o LARC
promoveu um Workshop no qual foram discutidas a
organização do GT e algumas orientações para a sua
atuação, dentre as quais a definição de temas de
pesquisa que, posteriormente, resultaram em projetos
submetidos no final de outubro ao CNPq para
financiamento.
Podemos dividir as ações do GT de P&D em ações de
médio e longo prazos. Dentre as ações de médio prazo
encontra-se o apoio à instalação e interligação de
redes experimentais de alta velocidade. Enquanto que nas
ações de longo prazo encontra-se o apoio ao
desenvolvimento de projetos de pesquisa.
Redes experimentais de alta velocidade
Não há dúvidas de que a Internet necessitará de redes
de alta-velocidade para atender à demanda dos serviços
interativos, sobretudo aqueles que necessitam da
transferência de grande quantidade de dados e até mesmo
de animação, em questão de frações de segundo (entre
100 e 300 ms).
Além do mais, há toda uma tendência mundial de
integração das redes de comunicação de voz, dados e
imagens numa única rede, a Rede Digital de Serviços
Integrados de Faixa Larga (RDSI-FL). A RDSI-FL utiliza
uma técnica de comutação e multiplexação conhecida
por ATM (Asynchronous Transfer Mode), que permite
a transmissão, em princípio, de qualquer tipo de
informação, através de canais de comunicação com
taxas de transmissão que variam de 1,544 Mbps a 155
Mbps, e além, utilizando uma variedade de meios físicos
desde par trançado para pequenas distâncias a fibras
ópticas, sobretudo para longas distâncias.
Diante desta tendência e visando melhorar a
infra-estrutura atual da Internet no Brasil, de modo a
possibilitar a integração eficiente e o desenvolvimento
dos serviços a serem oferecidos e a capacitação de
recursos humanos, o GT de P&D, está propondo o apoio
à criação de redes experimentais de alta velocidade em
algumas cidades chave no País, bem como a interligação
destas redes a nível nacional com enlaces de alta
velocidade e com redes experimentais internacionais.
Aqui no Brasil há diversas iniciativas de abrangência
local ou regional de implantação de redes experimentais
de alta velocidade, em geral envolvendo a operadora de
telecomunicações estadual, universidades e órgãos dos
governos municipal e estadual, com a finalidade de se
aprender a utilizar a nova tecnologia e como efeito
demonstração de sua viabilidade e importância
estratégicas. Dentre as iniciativas, já em fase de
teste ou em planejamento, podemos citar as das seguintes
cidades: Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto
Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto que
Brasília já conta com uma rede metropolitana de alta
velocidade denominada de REMAV.
Para a interligação destas redes a nível nacional,
está planejada, encontrando-se atualmente em fase de
licitação pelo Sistema Telebrás, a RENAV, Rede
Nacional de Alta Velocidade, que vai interconectar
algumas cidades do País, através de uma rede com
comutadores ATM e enlaces ópticos. Pretende-se dar
início a experimentos de interligação diretas a médio
prazo com posterior migração para interligação via
RENAV.
Com relação à interligação com redes internacionais,
recentemente o GT foi convidado a representar o Comitê
Gestor na negociação de um projeto piloto internacional
denominado de MAY (Multimedia Applications on
intercontinental-highwaY) que atualmente tem como
objetivo testar os recursos emergentes de comunicação
entre laboratórios de pesquisa e indústrias tanto na
Alemanha como nos Estados Unidos, mas que poderá vir a
ser estendido até o Brasil.
Projetos de Pesquisa
A função do GT de P&D não é a de desenvolver
pesquisa diretamente e sim identificar temas de interesse
e dar apoio para que as pesquisas sejam desenvolvidas nas
universidades e centros de pesquisa. Atualmente há
diversos projetos em andamento que estão sendo
financiados pelo CNPq através do Programa Temático
Multi-institucional em Ciência da Computação
(ProTeM-CC), enquanto que propostas de novos projetos
acabaram de ser submetidas no final de outubro, com o
apoio do LARC e do GT de P&D. Dentre os temas
envolvidos temos redes de alta velocidade,
administração de sistemas heterogêneos, avaliação de
desempenho, desenvolvimento de aplicações
distribuídas, gerenciamento de redes e redes móveis.
Esperamos desta forma dar a nossa contribuição para
antecipar as soluções para as necessidades da Internet
no Brasil garantindo a sua evolução sem sobressaltos.
Prof. José Augusto Suruagy Monteiro (suruagy@di.ufpe.br) é Professor Adjunto do Departamento de Informática da UFPE
e Coordenador do Grupo de Trabalho de Pesquisa e Desenvolvimento da
Internet no Brasil.
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