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O cenário da segurança da informação no Brasil
Cristine Hoepers e Klaus Steding-Jessen* - abril de 2006
Fonte: Pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil 2005
Umas das tendências observadas pela comunidade de segurança
da informação nos últimos anos tem sido
a migração do alvo dos ataques para os usuários
finais de internet, tanto residenciais quanto corporativos.
Normalmente esta migração é atribuída
a diversos fatores, entre eles:
1. Há cada vez mais usuários com banda larga
em suas residências, de modo que tendem a ficar mais
tempo conectados e expostos a ataques via rede. Estes usuários,
entretanto, não têm aumentado seu nível
de preocupação com segurança, dependendo
basicamente do software antivírus como única
forma de proteção;
2. As empresas aumentaram a preocupação com
segurança, principalmente a segurança dos servidores
corporativos, tornando mais difíceis os ataques a estes
servidores. Neste cenário, atacar diretamente o usuário
tem se tornado mais fácil e eficaz.
O usuário pode ser afetado das seguintes formas:
• pode ser vítima de técnicas de engenharia
social, ou seja, o atacante tenta fazê-lo acreditar em
algum fato e seguir um link ou instalar um código malicioso
em seu computador;
• sua máquina pode ser comprometida automaticamente,
via rede, por um worm1 ou
bot2. Se for
infectada por um bot, esta máquina pode ser controlada
remotamente por um invasor e ser utilizada, entre outras coisas,
para: envio de spam; ataques de negação de serviço
contra outras instituições; e qualquer atividade
maliciosa, incluindo ser utilizada para invadir outras máquinas.
Ao ter acesso à máquina do usuário o
atacante não só poderá utilizar os recursos
de processamento e banda — fazendo com que o usuário
fique com a máquina e com a
conexão internet lentas — mas também poderá furtar
dados de sua máquina, como dados financeiros (contas,
senhas, número de cartão de crédito,
declarações de imposto de renda, etc).
Os números levantados nas pesquisas TIC DOMICÍLIOS
e TIC EMPRESAS 2005 confirmam esta tendência de migração
dos ataques para os usuários, cabendo comentar alguns
destes números em mais detalhes. Na TIC EMPRESAS podemos
ver que, dentre os problemas de segurança mais encontrados
nas empresas com acesso à internet, ataques tipicamente
direcionados a usuários finais ocorreram em maior número,
como aqueles realizados por vírus e cavalos de tróia
(trojans), com 50,34% e 31,13% respectivamente. Por sua vez,
ataques tipicamente direcionados a servidores corporativos
representaram um número menor de ocorrências,
como ataques de desfiguração (11,20%) e acessos
não autorizados (10,89%), como pode ser visto na tabela
TIC EMPRESAS E1 (do apêndice).
A pesquisa TIC DOMICÍLIOS, em sua tabela F2 (do
apêndice), aponta que entre os usuários de
internet que possuem computador em sua residência,
a proteção mais usada é o antivírus,
citado por 69,76% dos usuários entrevistados, seguido
de softwares anti-spyware, com 22,09%. Já o uso
de firewall pessoal está difundido somente entre
19,33% dos usuários residenciais. Além disso,
somente 21,11% desses usuários atualiza seu antivírus
diariamente, contra 31,03% que não atualizou seu
antivírus nos 3 meses anteriores à pesquisa,
como mostra a tabela TIC Domicílios F3 (do apêndice).
Nos dados da tabela TIC DOMICÍLIOS F1 (do apêndice)
vemos que 40,99% daqueles que usaram internet afirmaram
não ter encontrado nenhum problema de segurança
nos últimos 3 meses, mas isto não necessariamente
significa que eles não tenham tido problemas. Aqueles
usuários que não atualizam seus antivírus
diariamente, e não utilizam softwares como os firewalls
pessoais, podem ter sido afetados por uma ameaça
mais recente sem saber. Isto ocorre porque as tecnologias
utilizadas pelos códigos maliciosos recentes muitas
vezes permitem que um ataque tenha sucesso sem que o usuário
perceba.
A segurança na internet depende de diversas ações
para sua melhora, sendo uma das principais a educação
dos usuários de internet sobre as ameaças
e suas formas de proteção. Dentre as empresas
consultadas, 19,69% possuem um programa de treinamento
em segurança da informação, sendo
que este número é superior a 40% nas empresas
com mais de 500 funcionários, segundo os dados da
tabela TIC EMPRESAS E2 (do apêndice). Estes números
são positivos, mas precisam aumentar.
O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes
de Segurança no Brasil (CERT.br), mantido pelo Comitê Gestor
da Internet no Brasil, tem um conjunto de ações
que visa melhorar este quadro. Para auxiliar a educação
dos usuários residenciais e corporativos o CERT.br
mantém desde 2000 a Cartilha de Segurança
para a Internet3.
Este é um documento escrito especificamente para
usuários de internet e tem sido atualizado para
refletir a evolução dos ataques e das tecnologias
de defesa. Na sua última versão, de setembro
de 2005, foi ampliado para incluir uma seção
exclusiva sobre códigos maliciosos e formas de proteção.
Também tem informações sobre fraudes
que têm sido comumente cometidas via internet. As
principais dicas da Cartilha, sumarizadas em um folder,
incluem: atualização diária do software
antivírus e utilização de um firewall
pessoal.
A Cartilha também pode ser utilizada pelas empresas
para difundir boas práticas que reduzam o número
de incidentes com vírus e cavalos de tróia.
Além disso, as empresas contam com o documento de
Práticas de Segurança para Administradores
de Redes Internet4,
que reúne as práticas a serem adotadas para
minimizar as chances de ocorrerem problemas de segurança
em redes conectadas à internet. Este documento serve
de apoio a profissionais de segurança, bem como
a profissionais de rede que não contam com uma equipe
para auxiliar nos cuidados de segurança.
Além destas iniciativas de manter material de apoio
para usuários e administradores de redes, o CERT.br
também possui outros projetos que visam tanto compreender
melhor a natureza das ameaças na internet, como
melhorar a capacidade nacional de resposta a incidentes.
Um desses projetos é o Consórcio Nacional
de Honeypots, que tem o objetivo de aumentar a capacidade
de detecção de incidentes, correlação
de eventos e determinação de tendências
de ataques no espaço internet brasileiro. Outra
iniciativa é o oferecimento no Brasil de cursos
para formação de especialistas em tratamento
de incidentes, que são profissionais especializados
na prevenção, detecção e rápida
mitigação de incidentes de segurança
ocorridos em redes de computadores. Estes projetos e outras
iniciativas do CERT.br estão detalhados em sua página
web5.
Outros esforços também são necessários
para que um aumento efetivo na segurança da internet
seja alcançado. Nesse ponto indicadores sobre a
situação atual de segurança são
cruciais para ajudar todos os setores a focarem seus esforços
nas áreas que mais necessitam de melhorias, bem
como possibilitar a avaliação da efetividade
das medidas adotadas.
* Cristine Hoepers e Klaus Steding-Jessen, Analistas de
Segurança do CERT.br
1 Programa
capaz de se propagar automaticamente através
de redes, explorando vulnerabilidades existentes ou
falhas na configuração de softwares,
enviando cópias de si mesmo de computador para
computador.
2 Programa
que, além de incluir funcionalidades de worms,
dispõe de mecanismos de comunicação
com o invasor, permitindo que o programa seja controlado
remotamente.
3 http://cartilha.cert.br/
4 http://www.cert.br/docs/seg-adm-redes/
5 http://www.cert.br/
Como citar este artigo:
HOEPERS, Cristine; STEDING-JESSEN, Klaus. O cenário da segurança da informação no Brasil. In: CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil). Pesquisa sobre o uso das tecnologias da informação e da comunicação 2005. São Paulo, 2006, pp. 53-56.
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