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Internet, torturas no Iraque e software livre
Mário Teza* - 17 de maio de 2004
Fonte: Baguete
Distraídos, venceremos. (Paulo Leminsky)
A divulgação da fotos com torturas, estupros e outras atrocidades
que foram cometidas no Iraque, revoltaram o Mundo. Nos Estados Unidos, países
árabes ou Europa, etc, uma onda de indignação varreu o
planeta. Coloquei um link de um site com as fotos (1).
Pode-se ver o reflexo e a veracidade das fotos na reação do Departamento
de Defesa dos EUA.(2) O resultado das
eleições norte-americanas começa a ser alterado pró
candidatura do Partido Demo crata. Analistas indicam a crise das torturas no
Iraque como determinante para essa situação. Graças a uma
câmara digital de um(a) soldado(a), ao correio eletrônico e sites
na internet, o Mundo inteiro pode ver um pouco dos horrores da Guerra no Iraque.
Milhares de sites tem divulga do fotos, vídeos, audio, do conflito. Até
mesmo a retalhação vem pela internet. Foi o que aconteceu com
o jovem Nicholas Berg, cuja decapitação pode ser encontrada na
interntet. Um amigo médico não conseguiu dormir na noite em que
assistiu tal vídeo. Fiquei positivamente surpreso com a reação
mundial repudiando tais torturas. Isso mostra o quanto a cultura dos direitos
humanos está enraizada nos paíse ocidentais. A reação
nos Estados Unidos então, é um sopro de esperança.
Na verdade, estamos vivendo um novo fenomeno pouco estudado. Esse fenomeno
já se manifestou, segundo Antonio Martins, ha dois anos, quando da tentativa
de golpe contra Hugo Chaves na Venezuela. Apoiadores do presidente utilizaram
a internet para combater o golpe. Agora, a Espanha "furaram o estado de
sítio midiático imposto sobre eles por meio do uso febril de telefones
celulares. A arma mais comum foram as mensagens de texto, ou... torpedos."
(3) O caso das torturas
no Iraque é a terceira manifestação deste fenômeno:
A internet como fonte primária da informação e seu uso
intensivo da internet como meio pelo qual essa mesma informação
circula. é Impressionante como redes de televisão, jornais, baseiam-se
cada vez mais no que circula na Internet.
O Brasil deu um passo inovador ao democratizar a Governança da Internet.(4)
Sexta-feira última foi publicado a listas as entidades pré-habilitadas
à votar e indicar representantes para o Comitê Gestor da Internet
no Brasil: (5)
1 - Terceiro setor / ONGs: 52
2 - Comunidade científica e tecnológica: 06
3 - Provedores de acesso e conteúdo da Internet: 03
4 - Provedores de infraestrutura de telecomunicações: 03
5 - Indústria de bens de informática, telecomunicações
e software: 29
6 - Setor empresarial usuário: 28
As entidades não habilitadas agora tem prazo para recurso da decisão.
Em breve teremos a eleição. Com essa iniciativa, certamente o
fenômeno da Internet terá maior uso e consequências no Brasil.
Por fim, cabe ressaltar o papel do software livre para a existência da
Internet. Na realidade um e outra se alimentam reciprocamente. Sem software
livre, padrões internacionais abertos/inter operaveis, não haveria
Internet. Protocolo tcp-ip, Resolução de Nomes de Dominio (BIND),
servidor web (Apache), banco de dados (posgresql, mysql), linguaguens de todo
tipo, etc. Por outro lado, por existir a Internet, foi possível milhões
de pessoas usarem e desenvolveram de forma colaborativa, milhares de softwares
livre.
Esse novo fenômeno a ser estudado terá no software livre um grande
protagonista.
* Mário Teza é
membro do Comitê
Gestor da Internet no
Brasil
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