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Contribuições ao Problema
da Última Milha
Demi Getschko
A Internet Brasileira apresentou durante o primeiro
semestre de 1996 um crescimento duas vezes maior que a
média da Internet Mundial, reforçando a sua posição
de liderança na América Latina. Esse incremento
substancial deveu-se, principalmente, ao ingresso das
instituições não acadêmicas, à efetiva
disseminação de serviços de acesso e de informação
pelo país e ao surgimento de provedores e de toda uma
gama de serviços relacionados com a rede.
O continuado oferecimento de serviços de rede com
qualidade à população depende, em linhas gerais, da
infraestrutura existente em vários níveis. O contexto
em que é necessária a infraestrura pode estar
relacionado a:
situação
da Internet Mundial;
capacidade
e adequação da conectividade brasileira à
Internet Mundial;
conectividade
interna no Brasil e serviços de"backboning";
acesso
do usuário final à rede ("problema da
Última Milha");
Examinam-se
rapidamente cada um dos três primeiros tópicos e, a
seguir, com um pouco mais de detalhe, o panorama de
opções para a "última milha".
Situação da Internet Mundial
A Internet é a primeira materialização do que
virá a ser a sociedade de informação que usará
extensamente os meios digitais de comunicação. Sua
característica básica é ser uma ampla e aberta rede
de redes, com padronização mínima em termos de
protocolos básicos. É um terreno fértil à
experimentação e à disseminação de novos serviços.
Com a mudança de perfil do usuário padrão da Internet,
que ocorreu a partir dos anos 90, a pressão por uso e
acesso, principalmente nos Estados Unidos, a velocidade
com que são desenvolvidas novas aplicações e a
quantidade de esforço conjunto aplicado sobre essa rede
tem feito com que os recursos de telecomunicações
colocados à disposição da Internet esgotem-se cada vez
mais rapidamente.
Exemplo dessa situação de ciclo: congestionamento-expansão-congestionamento
foi o lançamento nos meios acadêmicos norte-americanos
da idéia de reviver-se o modelo original,
não-comercial, da Internet, através do estabelecimento
de uma nova estrutura - a Internet fase II - com
uma ordem de grandeza a mais de capacidade em seu backbone.
A Internet Brasileira, como não podia deixar de ser,
sofre os reflexos do estado de uso e congestionamento da
Internet Mundial e não raramente, encontra aí seus
maiores "gargalos".
Capacidade e adequação da conectividade
brasileira à Internet Mundial
A capacidade da conexão brasileira à Internet tem
sofrido constantes revisões e aumentos. O
congestionamento experimentado nos primeiros anos de
acesso foi sendo paulatinamente removido e, especialmente
durante 1996, a capacidade total foi sensivelmente
expandida.
Em fins de 1995 o Brasil dispunha de 3 canais de 2 Mbps
conectando-o à Internet Mundial. Dez meses depois, em
outubro de 1996, o número de canais havia
triplicado : existem hoje 9 canais de 2
Mbps entre Brasil e Estados Unidos da América e
prevê-se que até o final do ano esse número chegará a
12 canais. Apenas a título de comparação, 24 Mbps de
banda agregada era aproximadamente o que existia em 1994
entre Europa e Estados Unidos da América. Em relação,
portanto, às regiões mais desenvolvidas, pode-se
considerar que a qualidade da conexão brasileira à
Internet Mundial é adequada ao porte da parcela
brasileira.
Conectividade interna no Brasil e serviços de backboning
É antiga a percepção da importância em
prover o país de infraestrutura necessária para a
disseminação dos serviços de rede. Com intervalo muito
pequeno em relação a nações mais desenvolvidas, o
Brasil já contava com embriões de estruturas nacionais.
Em 1990 a RNP - Rede Nacional de Pesquisa - definia um
primeiro projeto nacional- o backbone' fase I ",
que tinha o mérito de introduzir esse conceito na rede
brasileria e de criar, por todo o território,
competência na área. Hoje a RNP conta com o principal backone
brasileiro e tem servido de modelo para outras
iniciativas de mesmo carácter. Outro ator importante no
cenário é a Embratel. A Embratel inciou seu serviço
Internet sem estabelecer um "backbone"
específico, definindo um ponto único de acesso no Rio
de Janeiro e lançando mão de redes de abrangência
nacional porém de uso genérico, como a Renpac
, para dar acesso a esse ponto. Com o amadurecimento
da rede e o aumento progressivo de uso, a necessidade de
estrutura específica envolvendo outras cidades
importantes ficou evidente. Ressalte-se, por exemplo, que
a Embratel está neste mês de outubro colocando no ar o
ponto "São Paulo" e pretende, ainda em 1996,
ativar "Brasília".
Outro aspecto importante dentro da estrutura que supõe a
existência de múltiplas redes é a articulação entre
as iniciativas. É entendimento deste Comitê que, apenas
com a articulação eficiente a nível nacional das
diversas inciativas de backboning do
país, será possível a existência de uma Internet
Brasileira efetiva. Desta forma, está sendo definida a
política a ser adotada e as medidas necessárias para a
criação de Pontos de Interconexão de Redes (PIR's) no
país, que permitam e favoreçam a troca de tráfego
entre as redes compatíveis existentes.
Acesso do usuário final à Rede ("Problema
da Última Milha")
O cenário mais crítico, pela complexidade e
pelo porte do problema, envolve o acesso ao usuário
final. Trata-se de avaliar quais as facilidades de que
dispõe esse usuário para, a partir de sua
localização, interagir, com o conforto e a eficiência
adequados, com a rede global.
No Brasil, como de resto no mundo, o acesso típico do
usuário local é feito hoje através da rede
telefônica. Essa solução baseia-se no uso da
infraestrutura de telefonia urbana existente para dar
acesso ao usuário às redes de dados. Pela simplicidade
de seu uso e facilidade de implantação,
invariavelmente, é a primeira alternativa que se
considera. Foi o acesso discado que permitiu o
estabelecimento rápido de centenas de provedores
Internet no Brasil, dos mais variados portes e nas mais
diversas regiões. Entretanto, o uso da rede telefônica
convencional para acesso à Internet traz alguns
compromissos e conseqüências:
- Restrições em termos de capacidade e de qualidade:
as
características do canal de voz telefônico
restringem a banda utilizável a pouco mais de 3
Khz. Mesmo com os mais sofisticados equipamentos
de modulação e com condições adequadas de
relação sinal/ruído, o topo de velocidade
digital possível para esse canal está ao redor
de 30 Kbps. Se, por um lado, essa velocidade é
perfeitamente aceitável para a maioria das
aplicações atuais dos usuários, ela passa a
ser um limitante para aplicações multimídia
e/ou em tempo real;
a
qualidade e a estabilidade da conexão
telefônica é altamente variável, dependendo da
tecnologia da central, da qualidade do cabeamento
e de outros fatores nem sempre controláveis ou
previsíveis;
-
Comprometimento da capacidade nas centrais de
atendimento, nas centrais de tráfego e na canalização
entre centrais:
o uso
indiscriminado de acesso telefônico para redes
digitais tem causado sobrecarga, tanto nas
centrais de assinantes como nas de trânsito. O
cálculo estatístico de ocupação de canal
telefônico para conversação aponta para um
tempo médio de pouco mais de 3 minutos, enquanto
os acessos às redes ocupam um canal em média
por quase uma hora. Com isso, recursos que
poderiam atender a 20 chamadas acabam bloqueados
por uma única chamada. É típico encontrarem-se
as centrais congestionadas em locais onde grandes
provedores estabelecem sua base de acesso;
Surge assim,
a necessidade de examinarem-se alternativas para o uso da
conexão telefônica discada, como meio de acesso ao
usuário final.
A discussão de alternativas passará, inicialmente, pelo
exame dos meios disponíveis para o tráfego de
informações. São eles:
- Alternativas "sem-fio" (
wireless):
-
Meios físicos sólidos:
Alternativas
"sem-fio" (wireless)
rádio
O uso de rádio de amplo espectro, nas faixas liberadas
pelos órgãos reguladores, tem sido uma alternativa
barata e simples para comunicação de dados a média
velocidade. Apresenta, entretanto, diversas restrições
que tornam difícil sua aplicação na conexão do
usuário final:
depende
de topologia adequada - visada direta entre os
dois pontos a conectar;
depende
de equipamentos e instalações especiais;
o
limite de conexões possíveis a um ponto central
é muito baixo (uma dezena);
o uso
generalizado vai impor a necessidade de alguma
coordenação no manejo das freqüências de uma
microrregião;
apresenta
custo/benefício médio ou alto. Para o usuário
final, porém, seu custo torna o uso proibitivo.
Desta forma,
esboça-se para o rádio uma gama de aplicações mais
adequadas à redistribuição entre provedores de maior e
menor nível e a acesso institucional, que ao usuário
final em si.
uso de faixa disponível em sistemas de broadcast (TV)
A segunda alternativa - uso de faixa disponível em
sistemas de broadcast - pertence a uma
categoria de meios que são basicamente monodirecionais
- o que a priori inviabilizaria seu uso para a
Internet convencional. Na verdade, entretanto, uma
combinação entre essa categoria de meios monodirecionais
e, por exemplo, o tradicional esquema de conexão
discada, permitiria bidirecionalidade e, portanto,
interação. São sistemas denominados
"assimétricos", onde a velocidade de fluxo da
informação dependerá da direção e do meio. O chamado downstream seguirá pelo canal de TV, no
espaço não usado do retraço vertical, enquanto que o upstream voltará do usuário ao provedor
pela rede telefônica. De qualquer modo, a banda
disponível não é ampla o bastante (pouco mais que 100
Kbps no sinal de TV), há necessidade de receptores
especiais e a assimetria da solução introduz um
complicador adicional que dificulta sua adoção.
satélites estacionários
O uso de satélite é uma evolução do caso
anterior. Novamente existe uma emissão centralizada de
informações (o uplink do satélite) e
receptores monodirecionais que tem acesso a parte do
fluxo total. Nesse caso, a banda agregada pode chegar a
mais de 10 Mbps, com cada usuário podendo receber ao
redor de 500 Kbps de informação no padrão Internet. A
interação, novamente, só poderá ser efetuada por um
caminho alternativo - basicamente a rede telefônica
convencional. A popularização e disseminação desse
tipo de meio dependerá dos custos dos receptores e da
estrutura telefônica responsável pelo retorno. A
priori, parece não resolver alguns do problemas
críticos, notadamente pelo fato de que é mantida a
dependência da rede telefônica para o retorno, porém
há que se notar que:
a
banda disponível por esse meio é uma ordem de
grandeza superior à existente num canal de voz;
o
tempo de retenção do canal telefônico tenderá
a ser menor, dada a maior velocidade da conexão.
E mesmo, durante esse tempo de ocupação o que
transitará são, basicamente os comandos de
retorno do usuário. Isso permite prever baixa
taxa de uso do canal, com possibilidade de
reaproveitamento estatístico;
o
eventual uso de banda KU pelo satélite
permitirá antenas menores e o custo atual de um
receptor com essas características está abaixo
de 1000 dólares norte-americanos;
Por outro
lado não se pode esquecer que esta é uma solução
"concentradora", devido aos custos elevados de
investimento no up-link e só se mostrará
financeiramente viável se houver um compartilhamento
intenso dos recursos centrais.
satélites de baixa órbita;
Satélites de baixa órbita são alternativas promissoras
porém ainda não disponíveis amplamente. Deverão ser
melhor examinados assim que a tecnologia cristalizar.
Meios físicos sólidos
Hoje, as estruturas físicas suscetíveis a
transportar sinais eletromagnéticos para as residências
são a rede de distribuição de energia elétrica e a
rede telefônica. Uma estrutura nova e bastante poderosa
está vindo a se integrar às já existentes - a
estrutura de TV por cabo. Das duas primeiras, a rede de
distribuição de energia elétrica poderia prestar-se a
algum experimento para transmissão simultânea de sinais
digitais porém o que foi tentado até hoje mostrou
parcos resultados e inaplicabilidade prática. Já a rede
telefônica representa ainda um recurso precioso e que
pode ser melhor utilizado.
par trançado de cobre
Como visto anteriormente, o canal telefônico
apresenta restrições de banda insuperáveis. Essas
restrições, entretanto, não são inerentes ao meio
"par de cobre" em si, mas sim aos padrões
adotados internacionalmente para "canal
telefônico". O "par de cobre" pode ser
utilizado com eficiência muito maior que a do sistema
telefônico faz prever. Uma das formas de se conseguir
maiores bandas sobre a estrutura existente, é a da
transmissão digital com recursos de processamento de
sinais, cancelamento de eco, correção de erros a priori
etc. O ISDN é um exemplo desse uso. Bastante comum nos
Estados Unidos e em alguns países europeus, o ISDN ainda
não foi implantado no Brasil e depende, especificamente, de equipamento adequado nas Centrais
telefônicas para que possa se tornar disponível.
Outra alternativa muito atraente é o uso de transmissão
digital em banda-base, viável para distâncias curtas.
Tipicamente, com equipamento pouco mais caro que os
modems convencionais, consegue-se T1/E1 em lances de
alguns quilômetros sobre par trançado.
Um
aperfeiçoamento da idéia do uso de modems banda-base é
o ADSL (Assimetric Digital Subscriber Line) que permite,
às custas de uma assimetria no circuito (maior
capacidade num sentido que em outro) aumentar ainda mais
o alcance e o desempenho da transferência de
informação sobre par de cobre. Trabalhando tipicamente
com uma relação de 1 para 10, conseguem-se 2 Mbps no
sentido para o usuário, e 256 kbps no sentido inverso,
sobre linhas convencionais em distâncias de vários
quilômetros, distância essa quas sempre suficiente para
atingir a Central telefônica a que o usuário está
conectado. Mais que isso, essa tecnologia permite manter,
em paralelo, um canal telefônico convencional (POTS -
Plain Old Telephon System), possibilitando o uso conjunto
do telefone com o canal de dados. Os custos de modems
para ADSL vem caindo rapidamente e. com algum
investimento em equipamento de multiplexação
estatística na centrais telefônicas, será possível um
tratamento diferenciado para esse tipo de canal,
direcionando seu uso para as redes de computadores.
Finalmente, a
última opção a ser examinada - e talvez a mais
atrativa - é a do uso do sistema de TV a cabo para
distribuição de sinal digital.
Um sistema de distribuição de sinal de TV por meio de
cabo até a residência do usuário é, conceitualmente,
uma estrutura de rede hierárquica, com um ponto central
de emissão de informação, utilizando uma banda típica
de 500 MHz, que comporta quase uma centena de canais
telefônicos.
A rede implementada pelo conjunto de cabos seria, em
principio, uma rede monodirecional, em downstream do gerador do sinal até o
usuário. Essa foi efetivamente a maneira de implementar
as primeiras redes de TV a cabo nos Estados Unidos da
América. Com a evolução da tecnologia, entretanto, um
conjunto de aperfeiçoamentos foram sendo introduzidos
nas redes mais novas de TV a cabo. A estrutura central da
rede acabou substituída com grande vantagem por fibra
óptica, deixando-se o cabo coaxial como meio de acesso
da estrutura central ao usuário final e, mais que isso,
a rede foi dotada de algum recurso de retorno (o upstream) para fins de monitoramento e
controle.
Tipicamente, o upstream disponível é 1/10
do downstream e atinge valores ao redor de 50
MHz. Redes mais atualizadas, além de apresentarem
melhores figuras de desempenho por se utilizarem de fibra
óptica, também apresentam bidirecionalidade assimétrica
já que possuem um canal de retorno simultâneo ao canal
principal, o que as torna elegíveis para aplicações
interativas.
As redes TV a cabo no Brasil, por serem muito mais
recentes, normalmente exibem a característica de
bidirecionalidade. Para que possam, de fato, transportar
Internet, basta que se adicione a elas equipamento
terminal central (head-end), roteadores para
a conexão com a Internet e, em cada usuário, um
"modem" específico - o
"cable-modem". A reserva de banda equivalente a
um canal de TV no downstream para atendimento
ao grupo de usuários, e outro no sentido do upstream para o retorno, permite que se
aloque sobre a estrutura de TV a cabo uma estrutura
digital de transmissão de informação com capacidade
para mais de 10 Mbps. E, dada a separação entre downstream e upstream, o uso
efetivo desse canal ultrapassa o que se consegue, por
exemplo, numa rede local padrão Ethernet, 10Mbps,
dada a ocorrência muito menor de colisões.
Experimentos levados a cabo pela Unicamp na região de
Campinas mostraram um desempenho muito bom e uma grande
facilidade de instalação. O "modem-cabo" vê
seu preço reduzir-se, caindo abaixo de 800 dólares
norte-americanos. Logicamente o desempenho final na ponta
do usuário vai depender ainda de outros fatores, como a
taxa de erros e, principalmente, o número de usuários
atendidos por uma redistribuição. Entretanto, dada a
banda total disponível, esse número pode ser
confortavelmente grande, passando de vários milhares.
Um último problema a ser ressaltado é a falta de
padronização entre os fabricantes de cable-modems. A
tabela abaixo, que relaciona os fabricantes e o estado de
seu produto, deixa entrever claramente que cada
implementador tem sua própria solução.
Tabela
Cable Modem Vendors
Considerações finais
Há, pelo menos, duas tecnologias que podem ser de
utilidade imediata para deslocar do acesso discado o
papel de única solução para o usuário final:
o uso
no mesmo par trançado de cobre que hoje conecta
o telefone do usuário à central de tecnologias
ADSL e HDSL, desde que haja condições técnicas
e de regulamentação para que o sistema
telefônico brasileiro aceite esse tipo de
serviço e,
o uso
das infraestruturas de TV a cabo que estão
surgindo.
No primeiro
caso, os provedores Internet e as operadoras locais de
telefonia deverão operar cooperativamente e em sinergia
para que se possa tirar proveito da solução técnica.
É importante que se observe a evolução no mercado
internacional de "modems" digitais tipo ADSL.
No segundo caso, TV a cabo, o meio está nas mãos dos
concessionários desse serviço. Uma legislação que
permitisse serviços de valor agregado sobre o mesmo cabo
do "broadcast" abriria o cenário para que,
pelo menos nas grandes cidades, o provimento de acesso ao
usuário final experimentasse um salto qualitativo
importante. Por outro lado, a concentração do recurso
em mãos dos concessionários e o nível de investimento
já feito levanta alguns temores quanto à sorte dos
atuais provedores que se utilizam do acesso telefônico.
Uma medida paliativa seria escalonar a depleção do uso
do cabo. Numa primeira fase, o cabo poderia ser usado
para a conexão dos provedores de menor porte a
provedores de nível mais alto. O custo ainda alto dos
"modems-cabo" tornaria mais viável esse uso
inter-provedores que o acesso direto do usuário final. O
cenário mais otimista leva a prever uma interação
intensa entre os "donos"do meio
(concessionários) e os possuidores da tecnologia
Internet (os atuais provedores), de forma que surgissem
associações entre esses dois serviços. O experimento
da Unicamp mostrou que os atuais provedores teriam mais
agilidade em usar o recurso novo - o cabo - do que
as concessionárias, cujo foco de serviço é outro. Uma
alternativa interessante seria regulamentar o acesso
estimulando o uso do meio novo, inicialmente como forma
de acesso ao "backbone"de maior nível dos
próprios provedores já estabelecidos, de forma a
preservar o nascente setor de serviços na área. Numa
segunda e próxima fase, os usuários finais teriam
acesso à Internet em suas casas pelo cabo da TV
utilizando modems convenientes.
Finalizando, é clara a necessidade de que se levantem
restrições que prejudicam, em última instância, a
sociedade como um todo, e de que se busquem alternativas
na tecnologia rapidamente evolvente, mas sempre tendo em
vista que a Internet Brasileira e o segmento de serviços
que ela representa atingiram um estágio de
amadurecimento que não comporta mudanças bruscas de
rumo.
São Paulo, outubro de 1996.
O autor deseja expressar seu agradecimento ao Engenheiro Marçal dos
Santos , Diretor Técnico Executivo do Centro de Computação da Universidade
Estadual de Campinas, pela valiosa ajuda prestada para a elaboração
do presente texto.
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